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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013




Já era final de noite e ela pensava em como as coisas são. "Pura razão...", pensava ela incessavelmente.
Dia cheio de lembranças, amigos de amores passados, dívidas sem nem trabalhar para pagar, medo de perder, e razão. O pior de tudo, é que de fato, ela já sabia.
A voz, a vida. A essência. Tudo se encontrava ali.
Descarregou suas energias que faltavam serem desperdiçadas e agarrou o mundo com a voz. Sons e agudos. Graves com suavidade. Mas isso só foi no final da noite. 
A gente fica pensando a maior parte da vida que tudo isso só tem que ir embora. A vida, os pressentimentos, os medos, eles têm que ir embora. Ela sabia, sentia isso intensamente, mas era o medo que a fazia se sentir viva.
Na noite passada beijou um qualquer. Não sabia seu nome, e ele não gostava das músicas que ela disse que escutava. Não muito alto e careca. Chegou puxando assunto, e tentando ser agradável. Nem olhos pra isso ela tinha, e ele também não a olhou nos olhos. Sentaram-se juntos por motivos maiores, e sem querer ele encostou as mãos em suas pernas grossas e inquietas. Sem jeito, sorriu, e bebeu seu conhaque. É. Não havia ficado bêbada mesmo com quase um litro de conhaque correndo em seu sangue. Ele percebeu. Ela não queria mais nada ha não ser seu bom e velho companheiro em mãos, correndo por suas tripas e alucinando-a. O álcool era tanto, que ela o seguiu. Seguiu e nem soube o porque. A cena parecia ser mais apreensiva do que parece ser (afinal, isso são só palavras). 
Eu não sei. Acho que ela se sentia meio angustiada. Era um daqueles dias com o tempo de chuva propício para se ter um amor, deitar e assistir um filme comendo pipoca com qualquer gosto idiota existente, mas, ela... Ela estava lá, em um bar, vendo uma banda de amigos (nem tão amigos assim), bebendo seu conhaque, fumando seu cigarro e querendo um motivo pra sorrir. Quem sabe?
Olhou nos olhos dele, e ele sem saber se a menina do olhar mal ia xingar ou se pediria um abraço como uma criança, ficou esperando que algo bom acontecesse. Aconteceu. Não tão bom assim, mas sim. Medo e desejo. Nunca havia sentido nada igual. Pediu desculpas pela incapacidade de falar, e andou. A mão gelada puxou-a de volta, ela olhou pros olhos dele, e ele entendeu. Não passaria daquilo. Um beijo bêbado e só. Terminaram a noite por ai.
Mas nada demais, nenhum sentimento, só o processo. Ele deve ter alguém melhor, que sinta algo há não ser medo para conseguir amá-lo. Alias,  nem sei se amar ele conseguiria. Muito menos ela.
Ela... Ah, ela! Depois de um dia (engolindo tudo o que já havia pensado sobre gostar de alguém a primeira vista), ela só conseguia pensar em plantar feijões, e o nome dele nem era João. E dessa vez nem teve o processo, ou algo assim. Só o sentimento. O medo. E o desejo. 
Logo quando ela fixou seu olhar no moço de preto, em cima do palco, tranquilo ao som de vozes ao fundo, era interrompida por uma dor de se apegar, e um apego em si própria que apertava-lhe as goelas. Por isso é que não conseguia gritar. Conhecia todas as músicas, só não conseguia cantar nenhuma. Era muita informação: o jeito como ele mexia os lábios e as mãos, o jeito como o grave de sua voz entonava em seus ouvidos, como ele virava os olhos nas partes em que a letra mais o tocava. Fora como ele olhava pra multidão sem ter um ponto fixo no olhar. Olhava pro horizonte, sabe? E ela só queria que ele olhasse pra ela. 
No fim do show, conseguiu cantar e dançou algumas melodias. Nada melhor do que uma boa música para espantar os males, como já dizia sua avó (e que saudade sentia da mesma...). Até criou coragem no final de tudo, e foi lhe perguntar o seu nome, e de fato não era João, mas tinha haver com alguns feijões. Pequenas sementes, lá dentro de seu coração sombrio e medroso. Conversaram algo como cantar juntos, mas foi ideia dela. Talvez ele suma, desapareça, e a mate um pouco mais por dentro, mate um pouco do que ainda resta nela (mas aposto que ela nem vai ligar, já que pode ser ele quem o fará).
No fim, ela foi quem foi embora. Nada de interessante naquele lugar há não ser os olhos dele, os quais ela não podia olhar toda hora. Não podia de jeito nenhum, e não sabia o porque.
A outra coisa interessante, eram os solos intensos desnecessários e completamente perturbantes ao nervoso que ela sentia. Enquanto sua euforia queria a atacar, coroe-la por dentro, os solos a acalmavam e corroíam sua mente para um vácuo num lugar magnífico. Não" Não eram erros. Eram essências, voando pelo ar até chegarem nos ouvidos das pessoas. 
Chegou bêbada em casa. Mais uma noite em que enche a cara e não se alucina. Pensa nos problemas do mesmo modo, só que com mais intensidade. Sem saída para sentir suas mãos doerem até o amanhecer, e sem saber como fazer isso acontecer. Tudo o que quer é sua cama, um abraço que demore algumas 24 horas para terminar, e uns beijos na testa, sinal de respeito, sabe? O único problema que para ter respeito, precisa-se de intimidade e amor antes disso. No caso dela, precisa mesmo. Ninguém a ama. Ela não se ama e nem tem o ponto de vista de como isso seria. Só tem o ponto da vista de um olhar de um cara que conhece há algumas poucas horas. Se pedissem pra que ela desenhassem uma flor e umas casinhas, ela não saberia. Mas sim, saberia exatamente como desenhar aqueles olhos negros e profundos.
Ah, claro. O cigarro acabou. O último deles ela deu de presente para o tal dos feijões. Pensou que talvez assim, ele conseguisse ter um pouco dela dentro dele também, ou algo parecido... Parecido com o que ela sentiu um bocado forte, sabe? 
Abraçou-o, e foi embora.
Medo, e medo.
Seria bem mais fácil se ela chegasse e simplesmente falasse, não é mesmo? Mas há medo e repulsa. 
Mas nada acontece em vão. Talvez esse dia tenha lhe mostrado alguma das razões de sua vida. Talvez a razão seja ficar amando vozes graves e solos de guitarristas psicologicamente frustrados à levar as pessoas pra outras dimensões. Na dimensão que ele vive. Onde tudo são melodias intensas que cortam os ventos e destroem frustrações alheias.
Uma das razões também pode ser acolher-se pra si própria e ficar ali, esperando que tudo se resolva com ela mesmo. Que seus pensamentos parem de brigar com seus olhos, e as cenas que 'poderiam' acontecer, simplesmente aconteçam.
Que a razão se encontre.

E que as sementes de feijões que mudam vidas se plantem. Dentro do coração de todos ao seu redor. Principalmente de quem ela vê no espelho.

2 Comentário(s):

O Leão da Montanha disse...

É meio triste e ao mesmo tempo interessante. Seu blog está muito bom!

Hoje o meu completa quatro anos, dá uma passada lá?

Beijos e sucesso!

Lucas Covolam disse...

Gostei muito, prendeu minha atenção!!! Muuito bom! *--*