domingo, 28 de julho de 2013
Conservante de vida
O amor nunca bate na minha porta, nunca sorri na minha direção, nunca me chama pra tomar um café. Tentei até treinar algumas frases com as paredes. As paredes são as minhas únicas e fiéis companhias. O problema é que paredes não preenchem um coração oco, não aquecem os pés no inverno, não abraçam forte no escuro, e não bebem café.
"Depois com o tempo descobri que o problema era o café. Porque café não tem nada a ver com o amor. Café desce rasgando e te deixa ligado. Amor não. Amor é tipo leite. Tem prazo de validade curto e azeda muito rápido. E longa vida tem conservante. Uma mentira embalada. Só parece seguro porque está numa caixinha. Depois abre igual a qualquer outro. Amor é tipo isso, derivado de leite com embalagem bonita na geladeira do mercado. Você quer muito, as vezes fica doente de vontade, mas depois que bebe vê que nem foi tudo aquilo. E sem as embalagens, no fundo, danone, queijo, manteiga... É tudo a mesma merda. Fica lá em você boiando até sumir. Teu corpo absorve o bom. E o ruim vai embora."
Palavras travadas na mente de Iris Isis Exatamente em 7/28/2013 08:57:00 PM 2 Comentário(s)
terça-feira, 11 de junho de 2013
Cinzas de café e de nada.
E não percebestes realmente? Andou pedindo pr'eu largar do cigarro como se fosse a coisa mais volátil do universo. E foram centenas de vezes. Milhões contando os pedidos mentalmente desejados.
Álcool e nicotina.
E há um passo disso: a morte.
Me pedia pra ficar, sendo que era ele quem queria partir: e se foi. De mim.
E de mim se foi. E amanhã ou depois, vai-se embora dela. E ela depois, de alguém. E esse alguém, de outro alguém.
Não me amo à ponto de amar alguém, afinal. Não me amo tanto assim, à ponto de amar alguém que queira que eu a ame mais que o vício (que me consome, e que é a única coisa que não corro risco de perder). É. Não consigo me cuidar à ponto de conseguir amar.
Com o tempo, talvez. Ele sim é volátil. E quem sabe, um dia me faça amar mais lábios anciados por beijos do que os meus cigarros. Ou até mais pessoas em vez de coisas.
A incompatibilidade está nos feromônios. Ou nos olhos de quem vê. No nariz de quem sente, e na mão que apalpa.
Me encaixo perfeitamente como brinquedo de firulas pra Quem fez o mundo. E os meus problemas se encaixam em dois lugares: em mim e em uma garrafa de conhaque.
E tudo vira um soneto de não amor.
E tudo vira sonho de insonias infinitas.
E fim.
E nada.
E tudo.
Vira cinza.
/E ele era tudo o que eu tinha (pra amar) e não sabia.
Palavras travadas na mente de Iris Isis Exatamente em 6/11/2013 07:41:00 PM 2 Comentário(s)
segunda-feira, 15 de abril de 2013
We should love not fall in love, 'cause everything that falls gets broken.
Palavras travadas na mente de Iris Isis Exatamente em 4/15/2013 06:40:00 PM 0 Comentário(s)
quarta-feira, 3 de abril de 2013
Thöulart
Talvez, tu sejas apenas uma praga dos deuses.
Me degeneras. E regeneras.
Me degeneras. E regeneras.
E todo dia é a mesma cousa: faz como se nada tivesse havido.
E depois some. Decepa-se de mim.
E na manhã seguinte o relógio volta vinte e três horas, e faz com que tudo aconteça outra vez. E de novo.
Um tipo doentio de felicidade diária.
Um entorpecente sem nome.
Um entorpecente sem nome.
Por obséquio, as vezes, eu realmente gostaria que não existisses.
/E depois, eu realmente gostaria que voltasses a existir para me regenerar de novo e conseguir me fazer parar com as tentativas frustradas de amnésias engarrafadas.
Depois, era só me abraçar. E me olhar como só tu olhas.
Palavras travadas na mente de Iris Isis Exatamente em 4/03/2013 09:27:00 PM 1 Comentário(s)
quarta-feira, 27 de março de 2013
Hoje eu me rendo.
E quem é você?
Enfiou a faca.
Cavou a vala.
Me jogou lá à dentro.
Lobo vestido de cordeiro.
Quem é você?
Você é a verdade.
Gritando mentiras.
Lobo vestido de cordeiro.
Mentindo verdades para o mundo inteiro.
Palavras travadas na mente de Iris Isis Exatamente em 3/27/2013 06:29:00 PM 2 Comentário(s)
segunda-feira, 4 de março de 2013
Sonoridade Ilusiva
Nem nicotina, nem álcool, nem droga alguma.
Somos viciados em ilusões.
Um bando de dementes com olhos aflitos procurando comprar ilusão em qualquer esquina, qualquer ruína e pagamos com noites mal dormidas, com dor ao redor dos olhos por não conseguir chorar. Somos viciados em ilusões, somos como qualquer sobre-mesa morna e agridoce que ficou na mesa de jantar e ninguém quis tocar. Ver é mais agradável que consumir. Quando se tem na mão as coisas mudam. Somos escravos dos nossos próprios rascunhos de planos que não tem alicerce algum, degradados ao longo do tempo pelo vento e pela areia, construindo dunas e dunas pelas nossas costas sem conseguirmos espalhar ou escalar a própria montanha de ilusão [...]
/Vargas.
Palavras travadas na mente de Iris Isis Exatamente em 3/04/2013 06:34:00 AM 0 Comentário(s)
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